UMA ESTAÇÃO DE METRÔ, UMA CRIANÇA E UMA FAIXA DE PEDESTRES

O que há de comum entre eles?

Dias atrás uma cliente, logo após olhar meu Instagram, disse-me: “seu Instagram não é uniforme, mas sim muito variado”. Longe de entender aquilo como uma crítica, senti-me contente com o comentário: é exatamente essa a minha intenção.

Na fotografia, assim como em todas as outras profissões, há os especialistas, aqueles que optam por desenvolver um único tema. Há fotógrafos especialistas em casamentos, em paisagens, em produtos; há os fotógrafos de rua, os fotojornalistas, entre outras categorias. Quando tenho acesso ao portfólio desses “especialistas” ou, ainda mais, quando olho suas redes sociais, quase sempre me deparo com uma uniformidade absoluta. Se, por exemplo, o fotógrafo se diz “de casamento”, raramente vejo paisagens entre suas fotos. O mesmo ocorre em outras categorias, como se fosse necessário mostrar-se especialista em algo. Quase sempre.

Quando alguém me pergunta o que fotografo, respondo: “fotografo o que me toca”. Não, isto não é uma metáfora, nem tampouco filosofia. Aprendi, ao longo dos anos, a deixar-me ser tocado, seja por uma estação de metrô, por uma criança ou por uma faixa de pedestres. Minha fotografia é menos uma cópia da realidade e mais um retrato da minha intimidade, como se minhas emoções se materializassem na forma de imagens. Como bem disse Paul Ekman, “emoções são um trem desgovernado”. Eu não as reprimo, mas sim transformo-as em imagens.

Sempre acreditei que, para se fazer um lindo trabalho, paixão é fundamental, e eu sou um apaixonado, tanto pelo fotografia quanto pela vida, razão pela qual retrato tudo aquilo que, de algum modo, se relaciona comigo, mesmo que essa relação seja inconsciente. A esta altura você pode estar pensando: “mas você, Luiz, não tem preferência por algum tema?”. Tenho sim, mas preferências são diferentes de “especialidades”, pois embora eu seja mais cativado pela fotografia de rua, não me limito a isso, não tenho rigidez quanto àquilo que vou registrar.

Talvez eu esteja enganado, talvez os autores desses portfolios rígidos, uniformes e monotemáticos fotografem outros temas, mas apenas não os exibem. Minha pergunta é: por quê? Será mesmo proibido mostrar-se pluralista? Será que a variedade de temas denigre a imagem do fotógrafo? Seja qual for a resposta, não me importo. Exponho sem pudor minhas fotos, sejam do que forem, pois acredito que a beleza e o sentimento dispensam categoria.

Fotografia não é ciência; é arte. O que faz um fotógrafo ser grande não é apenas o domínio de uma técnica ou de um tema, mas também – e principalmente – o envolvimento dele com aquilo que está à frente da lente, seja uma estação de metrô, uma criança ou uma faixa de pedestres.