TODA UMA VIDA NUMA FOTO

Cada fotografia minha carrega em si o peso de uma vida. Cada retrato, cada imagem traz consigo tudo o que vi, escutei e li. Minhas fotografias são sempre cumulativas: a imagem de hoje traz consigo o conhecimento adquirido em todas as de outrora, de forma que estou em constante mudança e evolução. O fotógrafo de hoje não é o mesmo de ontem, e certamente não será o mesmo de amanhã. O mesmo ocorre com as fotos: os temas, as técnicas, o sentimento – tudo muda. Olhar fotografias é contemplar a evolução de uma vida, é voltar atrás e rever o curso do tempo, é adentrar a mente do fotógrafo e enxergar o mundo pelo seu ponto de vista. Mais até: é mergulhar no universo de uma vida e perceber em cada detalhe a influência de cada pequeno aspecto. Sim: por mais incrível e abstrato que possa parecer, até mesmo uma única nota musical tem o poder de influenciar o fotógrafo – se sensível ele for. Cada palavra que leio, de alguma forma, se insere nas minhas imagens – fala através delas. Sim, porque a fotografia é, acima de tudo, uma linguagem, um meio (o veículo) pelo qual expresso aquilo que sinto – e sinto muita coisa; sou sensível. Às vezes tenho a impressão de que é a arte quem me observa – não o contrário, como se cada obra me dissesse: “nós estamos te observando”. Por vezes, faço centenas (às vezes milhares) de fotos; destas, apenas algumas dezenas eu classifico como aceitáveis, e somente algumas poucas saltam aos olhos. Até parece que a imagem é que se apresenta a mim. Na verdade, é uma conjunção de fatores, uma soma: eu estou ali, no lugar e momentos certos, com o equipamento adequado, sabendo o que fazer, e então a imagem se revela (“pronto, agora você pode me fotografar”). É uma espécie de magia, algo hipnótico até. Sim, porque quando começo não quero mais parar. É terapêutico. Me faz bem, me ajuda, me oculta. Aí está, me ocultar: foi através da fotografia que passei a me relacionar, como se ela fosse – e é! – um instrumento social. Traduzindo: tenho algo para falar sobre. Sim, porque é minha obra, sei de cada minúcia, e dela – e por ela – posso falar. Fotografar é, no meu caso, a razão de uma vida, o resumo de uma existência, o suporte que sustenta o peso do ser.

Jantar de confraternização entre cooperados e colaboradores da Unimed Guaxupé, 2017.