O absurdo que virou tragédia

Semanas atrás estive novamente em  São Paulo. Andando pelo centro, próximo à Galeria do Rock, deparei-me com um edifício degradado multicolorido, todo pichado e grafitado e que, apesar de sua imponência, via-se que seu interior estava ocupado não por empresas ou órgãos públicos, mas por civis – havia sido invadido. As pessoas passavam por ele mas, na pressa do dia-a-dia, nem o olhavam, já que era apenas mais um prédio entre tantos outros. Eu, no entanto, fui atraído por aquilo, e já que estava com uma de minhas câmeras fiz algumas imagens e fui embora.

Passadas duas semanas, vi pela TV a notícia de que um edifício havia desabado no centro de São Paulo. Ao ver o local do desabamento pensei “puxa, estive por lá há poucos dias”. Pois bem, ontem, ao ver as fotos da viagem, constatei assombrado que o prédio que eu havia fotografado é o mesmo que desabou, o que reforça minha tese de há uma espécie de força misteriosa que atrai o fotógrafo para coisas às quais as outras pessoas normalmente não dão importância. Estas fotos são agora testemunhas de uma tragédia, um local que por anos abrigou vidas e que inesperadamente foi reduzido a sucata e pó.

Um absurdo que virou tragédia.

©Luiz Paulo de Morais. 2018.

 

©Luiz Paulo de Morais. 2018.

 

©Luiz Paulo de Morais. 2018.

 

©Luiz Paulo de Morais. 2018.

 

 

©Luiz Paulo de Morais. 2018.