FOTOGRAFIA: ENVOLVIMENTO E AMOR

Mas, afinal, o que é uma boa fotografia? 

Dias atrás tive acesso a algumas fotos feitas por uma amiga em seu trabalho. Gostei muito. Muito. Na verdade, posso dizer que aquelas são algumas das imagens mais tocantes que já vi. Percebam: eu disse “tocantes”, o que significa que há sentimentos ali. Minha amiga trabalha em um lar para idosos.

Ao contrário do que muitos pensam, fotografia tem menos a ver com técnica e mais a ver com sentimentos. O que faz com que uma fotografia seja marcante não é a habilidade do fotógrafo, nem tampouco o equipamento utilizado. As verdadeiras fotografias, com caráter eterno, dependem do quanto o fotógrafo se entrega àquilo, do quanto ele se envolve com o que se encontra à sua frente, de como ele reage à situação a que é exposto. Porque fotografia é, sobretudo, linguagem, algo que fala. Fotografia é, acima de tudo, amor.

© Helen Ribeiro. 2021

 

Dentre as várias definições que dão à arte, a que mais me agrada é aquela que diz que o artista é aquele que expressa seus sentimentos através de símbolos, o que nos leva a concluir que fotos são, numa última análise, emoções convertidas em imagens. É claro, nem todo fotógrafo é artista, e nem toda foto é o registro de um sentimento. Para alcançar este nível, é preciso transferir ao coração a tarefa de capturar o momento, e deixar que o dedo somente aperte o botão.

Há fotógrafos que gastam grandes somas em equipamentos, acreditando que uma câmera melhor lhe trará, necessariamente, fotos melhores, mas que passam a vida toda sem produzir nada de significativo. Por outro lado, há aqueles que, munidos de algo simples (como um celular, no caso de minha amiga) produzem maravilhas, às vezes sem se darem conta disso, justamente porque se preocupam mais em viver, se envolver e menos em fotografar. Para estes, a câmera serve ao coração, e não à cabeça. É como culinária: a comida do restaurante, preparada com toda a técnica e nos melhores utensílios, pode até ser gostosa, mas não se compara àquela feita em casa, de forma simples, mas com carinho e entrega.

© Helen Ribeiro. 2021

Fotografia não é ciência – é sentimento. No cérebro, dois mais dois é igual a quatro; mas para o coração, que não obedece à lógica nem vê limites, dois mais dois pode ser cinco. Que possamos viver e fotografar mais com a alma e menos com o dedo, e que valorizemos mais o que é tocante, e menos o que é técnico.