ELES – E NÓS

Você saberia me dizer qual é a diferença fundamental entre os “gênios” da fotografia e nós, fotógrafos “comuns”? Pois eu te digo: a fama. Sim, a única diferença entre nós e eles é o status que eles possuem. Vamos por partes.

Dia desses peguei para olhar a obra do Dennis Stock, americano, um dos grandes fotógrafos de todos os tempos. Em sua página no site da Magnum Photos (famosa agência ao qual ele pertencia), ao lado de seus retratos do ator James Dean (trabalho este que o tornou um fotógrafo respeitado) figuram fotos de plantas e outras imagens que, na galeria de qualquer fotógrafo obscuro, seriam ignoradas, mas que, por terem sido feitas por um “gênio”, recebem grande atenção e valor. Usei-o como exemplo, mas eu poderia ter citado qualquer outro nome famoso. Levando isso em conta, pergunto: as fotos produzidas pelos grandes nomes fazem sucesso mais pela beleza propriamente dita ou pela fama do autor?

© Dennis Stock / Magnum Photos

© Dennis Stock / Magnum Photos

 

Uma das coisas mais importantes que aprendi estudando a fundo a obra dos grandes nomes da fotografia foi a constatação de que eles e nós somos iguais. Sim: olhando de perto, todos os “grandes” fotógrafos fizeram/fazem poucas fotos incríveis e muitas, muitas fotos comuns. Quer dizer: os grandes mestres, e nós – seus admiradores – somos iguais na técnica e na qualidade do trabalho. Assim como nós, eles também fazem fotos comuns, triviais. Assim como nós, eles também fazem trabalhos fora de sua principal área. Por exemplo: Peter Marlow, famoso fotojornalista britânico, conhecido por suas grandes coberturas jornalísticas, fotografava comercialmente de tudo, de prédios a aviões. Percebe? Eles e nós somos quase iguais. Digo “quase” porque a única e real diferença é que, ao contrário da maioria de nós, eles têm fama, o que automaticamente faz com que suas obras sejam admiradas – ainda que elas sejam iguais a outras milhares espalhadas por aí. Mas de onde vem o sucesso?

© Peter Marlow / Magnum Photos

© Peter Marlow / Magnum Photos

Em mundo cada vez mais dominado por algoritmos que escolhem por nós o que é ou não relevante, que escolhem sozinhos o que vai ou não fazer sucesso, o sucesso depende cada vez menos de talento e mais de investimento e sorte. Sim, porque poucas são as pessoas que se dão ao trabalho de pesquisar algo novo, de ir atrás, de vasculhar em busca de algo realmente bom. A maioria das pessoas apenas aceita o que lhes dizem ser o melhor, seguem a moda, têm como verdade absoluta a opinião da maioria. Assim, o talento deixou de ser o primordial; em seu lugar impera o marketing, transformando em fenômenos fotógrafos comuns e relegando ao esquecimento aqueles que têm genuíno talento.

No fim, a constatação: olhando de perto, todos os fotógrafos são semelhantes, exceto pela fama e status de alguns e o ostracismo de outros.

© Luiz Paulo de Morais.

© Luiz Paulo de Morais